No livro Um Partido Anarquista, historiador rediscute a suposta aversão anarquista às organizações políticas.
Um Partido Anarquista traz à tona a rica e pouco
conhecida história do anarquismo uruguaio, particularmente a atuação da FAU
entre as décadas de 1950 e 1970.
Valendo-se
de ampla documentação, na maior parte fontes inéditas, o autor revela a
trajetória e a relevância da FAU no cenário político uruguaio e no combate à
ditadura militar. Além disso, o livro aborda a relação entre
anarquismo, sindicalismo revolucionário e anarcossindicalismo (tema de
trabalhos acadêmicos recentes) numa perspectiva comparativa.
Finalmente,
ao buscar as influências formadoras da FAU - supostamente desviante de uma
suposta “tradição anarquista” - o autor questiona os paradigmas
historiográficos que conformam uma “ortodoxia informal” no anarquismo, pedra de
toque a partir da qual acadêmicos e militantes identificam os desviantes da
“tradição”
A
ideia de um Partido Anarquista
surpreende leigos e até mesmo estudiosos e militantes do anarquismo. Por isso
mesmo, a Federação Anarquista Uruguaia tornou-se literalmente “maldita”, inclusive
nos meios anarquistas.
Acostumados
a situar o anarquismo vinculado à ação operária nas primeiras décadas do século
XX - ou associado a comportamentos “alternativos” no presente – somos surpreendidos
pela existência e atuação vigorosa de um partido anarquista no vizinho Uruguai
entre as décadas de 1950 e 1970. Ali a FAU marcou presença nas lutas sociais e
na luta armada.
Nos
anos 70, sob a ditadura militar, a organização contou com células em São Paulo,
Rio de Janeiro e Porto Alegre. Foi alvo da “Operação Condor”, a estreita
colaboração entre as ditaduras do Cone Sul, que vitimou dezenas de seus militantes
no Uruguai e na Argentina: presos, torturados, mortos, muitos até hoje
“desaparecidos”.
Um Partido Anarquista tenta compreender porque o
anarquismo uruguaio se manteve tão vivo enquanto no Brasil, e na América Latina
de um modo geral, houve um inegável declínio. Mais do que um texto dirigido aos
interessados no anarquismo, esse é um livro que diz respeito à história recente
da América Latina e do Brasil, à história de gente anônima que durante um
período sombrio lutou por uma sociedade mais justa e mais livre.
Autor
Ricardo Ramos Rugai é historiador
graduado na USP, Mestre pela UNICAMP e Doutor em Histórica Econômica pela USP.
Dedicou-se ao estudo do anarquismo e do sindicalismo na América Latina.
Recentemente tem se voltado para a História Intelectual da Economia Política,
além de atuar como Professor de História.
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RUGAI, Ricardo Ramos. Um Partido Anarquista: o anarquismo uruguaio e a trajetória da FAU. São Paulo: Ascaso, 2013. 313 p.
Preço: R$ 38,00
Para adquirir entre contato com o editor pelo email: ascasoedicoes@gmail.com