quarta-feira, 19 de junho de 2013


No livro Um Partido Anarquista, historiador rediscute a suposta aversão anarquista às organizações políticas. 

Um Partido Anarquista traz à tona a rica e pouco conhecida história do anarquismo uruguaio, particularmente a atuação da FAU entre as décadas de 1950 e 1970.

Valendo-se de ampla documentação, na maior parte fontes inéditas, o autor revela a trajetória e a relevância da FAU no cenário político uruguaio e no combate à ditadura militar. Além disso, o livro aborda a relação entre anarquismo, sindicalismo revolucionário e anarcossindicalismo (tema de trabalhos acadêmicos recentes) numa perspectiva comparativa.

Finalmente, ao buscar as influências formadoras da FAU - supostamente desviante de uma suposta “tradição anarquista” - o autor questiona os paradigmas historiográficos que conformam uma “ortodoxia informal” no anarquismo, pedra de toque a partir da qual acadêmicos e militantes identificam os desviantes da “tradição”


Contracapa

A ideia de um Partido Anarquista surpreende leigos e até mesmo estudiosos e militantes do anarquismo. Por isso mesmo, a Federação Anarquista Uruguaia tornou-se literalmente “maldita”, inclusive nos meios anarquistas.

Acostumados a situar o anarquismo vinculado à ação operária nas primeiras décadas do século XX - ou associado a comportamentos “alternativos” no presente – somos surpreendidos pela existência e atuação vigorosa de um partido anarquista no vizinho Uruguai entre as décadas de 1950 e 1970. Ali a FAU marcou presença nas lutas sociais e na luta armada.

Nos anos 70, sob a ditadura militar, a organização contou com células em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Foi alvo da “Operação Condor”, a estreita colaboração entre as ditaduras do Cone Sul, que vitimou dezenas de seus militantes no Uruguai e na Argentina: presos, torturados, mortos, muitos até hoje “desaparecidos”. 

Um Partido Anarquista tenta compreender porque o anarquismo uruguaio se manteve tão vivo enquanto no Brasil, e na América Latina de um modo geral, houve um inegável declínio. Mais do que um texto dirigido aos interessados no anarquismo, esse é um livro que diz respeito à história recente da América Latina e do Brasil, à história de gente anônima que durante um período sombrio lutou por uma sociedade mais justa e mais livre.

Autor 

Ricardo Ramos Rugai é historiador graduado na USP, Mestre pela UNICAMP e Doutor em Histórica Econômica pela USP. Dedicou-se ao estudo do anarquismo e do sindicalismo na América Latina. Recentemente tem se voltado para a História Intelectual da Economia Política, além de atuar como Professor de História.
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RUGAI, Ricardo Ramos. Um Partido Anarquista: o anarquismo uruguaio e a trajetória da FAU. São Paulo: Ascaso, 2013. 313 p.

Preço: R$ 38,00

Para adquirir entre contato com o editor pelo email: ascasoedicoes@gmail.com



 

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